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A crítica e a verdade

Não gosto de tudo o que leio. Isso é um fato. Você, leitor, também não – é impossível encontrar algo que agrade a todos. Nós aprimoramos nosso gosto literário livro após livro, ano após ano, num processo constante de auto-aprendizado, tornando-nos pessoas mais enriquecidas pelo valor da literatura.

Contudo, algumas pessoas se esquecem de que uma importante função de um blog literário é opinar e avaliar. Não visito um blog apenas para conhecer lançamentos: na verdade, o que mais me importa é saber a opinião do blogueiro acerca de determinado livro. Quero saber se o livro é bom, se a história prende o leitor, se minha jornada página após página será emocionante ou não… Com o tempo, após ler os livros recomendados por este ou aquele blog, tenho condições de dizer se nossos gostos são semelhantes ou não – se forem, é certo que uma resenha positiva me fará ter interesse pelo livro – e assim poder "confiar" na opinião do blogueiro.

Só que isso parece estar ameaçado. Algumas pessoas têm considerado uma resenha negativa como um ataque ao autor ou mesmo, pasmem, à literatura nacional! Querem, de alguma maneira, impor grilhões à liberdade dos blogs, colocar opiniões em formas predefinidas, tolher tudo o que não for elogioso!

Esquecem que isso pode gerar uma consequência grave: a mentira! Se o blogueiro ler um livro e não gostar, ou ele mente e escreve um elogio ou ele fala a verdade e critica. Mas se não puder criticar, só resta a mentira! Só resta a enganação! O blogueiro fica refém de uma política de "elogio acima de tudo", de "irrestrito dever de retornar o favor de poder ler o livro."

Nada mais enganoso a todos nós. Ao leitor, que recebe a recomendação de leitura de algo que não é tão bom assim. Ao próprio blogueiro, que tem de engolir a verdade e despejar em prosa o elogio falso. Ao autor, em seu momento de orgasmo egóico, que apenas quer ouvir doces palavras e se faz surdo às críticas sobre o que escreveu… culminando, às vezes, em outro livro de igual nível – se já estava bom (só foram ditos elogios) não haveria razão de mudar.

Porém, por mais que achem ser algo ultrapassado, eu quero a verdade. Eu quero ouvir o clamor da crítica sincera, o rufar dos tambores da opinião desvelada, o brado da resenha virtuosa. Eu quero saber se um livro é bom ou não!

Eu quero que haja liberdade de opinião. Eu quero que cada um possa se expressar como bem entender!

Afinal, eu tenho o direito de não concordar com as opiniões que ouço e leio! Isso, todavia, não me dá o direito de tolhê-las! Quero uma retomada da verdade, sem poréns, sem grilhões, sem troca de favores.

Por acaso esquecem-se que a obra escrita é sempre inacabada, só se completando quando é lida? Permita a leitura! Permita a completude da obra! Deixe que cada leitor possa julgar a história diante de si como bem entender.

Um blog literário faz um favor AO ESCRITOR ao fazer uma resenha! Contudo, SEU DEVER é para com o LEITOR! O escritor tem de agradecer por ter seu trabalho divulgado – por menos que concorde com a crítica, pois precisa entender que nem todos compartilharão de sua opinião. A missão do blogueiro, ao resenhar, é trazer ao LEITOR a verdade sobre o livro – é por isso que o leitor acessa o blog.

Permita que os blogueiros possam ser livres. Permita que as críticas (negativas, positivas, construtivas ou não) fluam soltas. Como autor, ENTENDA que a obra deixa de ser sua quando está nas mãos de seus leitores.

Quero a verdade. Somente a verdade.

Sabe por quê? Porque se eu quisesse apenas ouvir que meu livro é maravilhoso, eu o mostraria apenas para minha mãe.