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Cotas

Um dos caminhos para a publicação é a participação em coletâneas (ou antologias) literárias. É uma forma de um autor relativamente desconhecido passar a ter seu nome atribuído a um quinhão de uma obra, cruzando o limiar que o leva ao rol de autores publicados.

E quais sãos os tipos de coletâneas? Em geral, há três:

  • Concursos (com ou sem taxa de inscrição);
  • Gratuitas; e
  • Cotas.

Concursos existem em tamanhos e formas diferentes. Uns oferecem como prêmio a publicação (e, talvez, alguns exemplares). Outros, além da publicação, um prêmio em dinheiro. Os que são gratuitos se assemelham às coletâneas nas quais os autores não pagam para participar (que discutirei a seguir)… Mas o que vejo como problema são aqueles que exigem uma taxa de inscrição.

Por quê? Porque o autor pagará um valor e pode não receber nada em troca. Tudo bem que pode haver renome e muito dinheiro envolvido se for uma grande publicação, mas não vejo razão para se pagar por algo que possa não lhe dar retorno algum (mesma razão pela qual não jogo em loterias).

Coletâneas gratuitas, por sua vez, não exigem taxa alguma (como seria de se esperar pelo nome). O autor envia seu texto e, se ele figurar entre os melhores recebidos pela comissão avaliadora, depois de possíveis alterações ele será publicado. O autor pode receber seus direitos autorais antecipadamente na forma de livros ou em dinheiro de acordo com as vendas.

É aí que entra as coletâneas por cotas. Elas possuem características distintas, que podem se tornar mais atrativas ou não de acordo com a situação de cada um.

Em primeiro lugar, o que são cotas? Cota é a quantia que se contribui para aquisição de um bem comum. Em suma, a editora e os autores contribuem financeiramente para a publicação mas, como essa publicação é comum aos que contribuiram, todos recebem uma quantidade de exemplares referentes à sua participação.

São esses os direitos autorais? Não. Esses exemplares representam a sua parte, a sua cota. Seus direitos autorais serão pagos pela editora quando ela vender os livros que tiver em estoque (pois a editora investe também na publicação): com o passar do tempo, de acordo com as vendas, os autores são contatados para receber seus direitos autorais.

E o que o autor faz com os exemplares de sua cota? Ele pode promover a coletânea, pode guardar para si, ou, o mais usual, ele pode vendê-los. Isso lhe permite reaver o que investiu anteriormente com o lucro que julgar adequado. No fim das contas, com essas vendas ele pode obter ainda mais retorno do que se tivesse, simplesmente, aguardado as vendas dos livros nas livrarias para receber 10% do preço de capa dividido entre todos os autores.

Já participei de coletâneas gratuitas e por cotas. Compreendo que uma editora que trabalhe com antologias gratuitas publique menos (pois todo o custo é arcado pela editora) do que uma que trabalhe com antologias por cotas (pois o custo é dividido com os autores), mas entendo que a qualidade dos textos é a mesma. E por quê? Porque quem organiza a antologia quer ver os melhores textos publicados. Ninguém em sã consciência lançaria uma antologia que não tivesse bons escritos.

É fundamental, no entanto, conhecer outras obras da editora antes de investir seu dinheiro numa coletânea por cotas (na verdade, é importante observar isso ao enviar seu texto a qualquer editora), pois será seu nome que estará naquele livro se seu texto for aprovado. A editora prima pela revisão? Os livros possuem uma boa apresentação (capa, qualidade, disposição do texto nas páginas)? Quem organiza a coletânea (seleciona os textos) o faz de maneira idônea e é bastante crítico? Essas questões é que vão determinar a qualidade da obra, e não o fato dos autores terem contribuído ou não financeiramente para que ela viesse se tornar real.