Investimento editorial

Proibição de livrosCriar algo não é fácil. É muito mais simples aproveitar algo já pronto do que investir tempo (e dinheiro) para que algo se torne real.

E isso ocorre no mercado editorial brasileiro.

Um exemplo é o que foi relatado pelo blog Porre Literário, da amiga Karina Andrade. Uma editora conceituada (trocadilho proposital) decidiu que não vai mais investir na publicação impressa de autores nacionais porque autor nacional não vende. Não vende mesmo?

Depende do referencial. Como disse o colega escritor Walter Tierno, “consolidar um mercado de autores nacionais leva tempo e é trabalhoso.” Temos a tradição de investir em nossos autores? As editoras levam a sério a ideia de que marketing é fundamental para a venda de qualquer produto, em especial um produto que tem sido relegado às margens?

Para nós, autores, um livro é um tesouro. Para os leitores, é uma porta para um novo mundo.

Para uma editora (empresa que vende a produção intelectual na forma de livro – impresso ou digital), um livro é apenas um produto a ser comercializado.

Sendo um produto, a análise que fazem é simples: se vender bem, continuam produzindo; do contrário, cessam a produção.

E esse produto, de onde vem? Há dois caminhos. O caminho fácil é pegar um produto que já esteja vendendo e simplesmente trazê-lo para suas estantes. Assim, buscam livros que tenham sucesso internacional (já vendem, já possuem marketing feito) e trazem pra cá. Simples e de fácil retorno.

O outro caminho é investir de verdade. Vasculhar nas pilhas de originais que recebem diariamente algo que tenha potencial e trabalhar o manuscrito (deve ser muito difícil acreditar que um livro – qualquer livro – não possa ser melhorado por um trabalho editorial decente, incluindo revisão e copidesque nisso). Uma vez pronto, investir na propaganda para que o público saiba que o livro existe. Propaganda vende. Vende muito.

Vende até o que não presta…

Mas não. Para que investir no autor nacional? Autor nacional não vende…

Deixe-me ver se entendo isso:

1. Recebem um bom original de um autor nacional
2. Lançam o livro
3. Não investem em propaganda
4. O leitor não sabe que o livro existe e não compra
5. Conclusão: autor nacional não vende

E como é com o autor internacional?

1. Procuram algo que já vende bem lá fora
2. Lançam o livro
3. Fazem propaganda em tudo quanto é lugar: jornais, revistas, traseiras de ônibus
4. Muita gente compra sem nem saber do que se trata o livro
5. Conclusão: autor internacional vende

Onde está o investimento editorial? No autor nacional é que não está (isso quando não surge editora dizendo que vai fazer edição de 500 exemplares de um livro nacional e não traz nenhum – porque não imprimiu os livros – pro dia do lançamento se o autor não se comprometer a comprar os exemplares).

Existem exceções? Felizmente existem. Mas ainda assim, há a alternativa de partir para a publicação independente…

Regência de Ossos ganha prêmio

No final do ano passado, em meio às Festas, houve uma votação para escolha dos melhores livros de 2012.

Isso foi organizado pela talentosa Anna Schermak, do blog Pausa para um Café. A escolha dos livros foi feita em duas etapas: na primeira, os leitores indicaram os melhores livros de cada categoria (Romance, Drama, Terror, Fantasia, Ficção Científica, Graphic Novel, Infantil, Policial, Sobrenatural) de maneira livre; depois, os mais votados de cada categoria foram para um segundo turno, que definiria o melhor de 2012.

Foi uma grata surpresa saber que Regência de Ossos havia sido indicado na primeira fase. E foi ao lado de nomes como Ascenção da Casa dos Mortos (Lemos Milani), Branca dos Mortos e os Sete Zumbis (Abu Fobya), Doença e Cura (Fabian Balbinot) e Sob a Redoma (Stephen King!) que a definição se deu. Numa votação apertada (com apenas 6 votos de diferença), com 36% da preferência dos leitores, Regência de Ossos foi escolhido como melhor livro de Terror de 2012.

Agradeço ao blog Pausa para um Café e, em especial, a todos os meus leitores, pelo prêmio alcançado. No segundo dia do ano essa notícia veio coroar os esforços em trazer a cada um de vocês um pouco mais das histórias que tenho a contar.

Isso merece uma comemoração, não é verdade? Então, para brindar em retribuição, anuncio agora que o livro Regência de Ossos ganhará uma nova edição neste ano, com capa nova feita pela magnífica Carol Mylius. Em breve, o livro estará nas grandes livrarias e, de lá, nas suas mãos.