Livro A última Dama do Fogo para download

Não, ao contrário do que você pode estar pensando, não estou disponibilizando o livro para download. Ao contrário, penso em não fazê-lo nunca, exceto quando tablets de leitura estiverem em voga a ponto de valer a pena investir em e-books (tanto em formato .pdb como também nos formatos padrão do Alfa da Positivo e do Kindle da Amazon).

A razão deste post é a quantidade de acessos que meu blog tem recebido nos últimos tempos por meio da pesquisa em mecanismos de busca com os termos do título (“dama do fogo download”, “dama de fogo pdf” e “dama do fogo pdf” também aparecem). Fico tentando imaginar algumas razões desses acessos e o que isso pode nos dizer acerca do momento em que vivemos.

Quase que tangencialmente, deixe-me falar mais um pouco sobre A última Dama do Fogo – desta vez com relação a sua produção. Por mais que o livro carregue o selo da editora LeiaSempre, ele foi autopublicado, ou seja, a editora nada mais serviu que como uma intermediadora entre mim, autor, e a gráfica que imprimiu os exemplares. Ou seja, todo o custo de produção saiu do meu bolso, incluindo a revisão (felizmente não precisei arcar com os custos de diagramação e de capa). Cada uma das vendas aqui na Lojinha significa um retorno do capital investido – veja que disse retorno, e não lucro, pois ainda não chegamos a tanto: considere que enviei muitos exemplares a blogs para resenha, livros que não custaram nada aos blogueiros mas que saíram, uma vez mais, do meu bolso.

Nos últimos anos, o número de livros autopublicados tem crescido. Ainda não chegamos ao “boom” vertiginoso da realidade estadunidense, mas estamos a caminho disso – cada vez mais é possível que um autor veja seu livro impresso por demanda, não sendo obrigado a adquirir 500 ou 1000 ou mesmo 3000 exemplares para essa realidade. E isso ainda vai crescer mais: vi um artigo dizendo que num futuro próximo, editoras irão perguntar a novos autores o que eles autopublicaram antes a fim de conhecer suas bagagens literárias, tornando-se praticamente um pré-requisito (recomendo a leitura: http://www.publetariat.com/sell/self-publishing-future-prerequisite).

Autopublicação tem seus custos, pagos diretamente pelo autor. Livros custam dinheiro.

Contudo, como sempre há de ser, há pessoas que não reconhecem o valor do trabalho. Escrever é prazeroso? Sim, mas também requer dedicação, comprometimento e tempo. Um livro não é fruto de uma tarde ociosa, nem mesmo de um mês de férias – é algo que requer do autor uma grande parcela de seu tempo, tempo este que poderia ser aproveitado com sua família, amigos, ou mesmo trabalhando em algo que desse retorno financeiro imediato. Ou seja: escrever é também um trabalho. Pode não ser a principal forma de rendimento do autor (não largue seu emprego para se tornar escritor…), mas ainda assim é um trabalho. Aproveitar-se disso é um crime (e não estou dizendo isso apenas figurativamente).

Já é ruim quando uma editora é lesada por quem procura baixar livros de maneiras não totalmente corretas (buscando arquivos “piratas” na rede, por exemplo): a livraria não recebe pela venda, a editora não recebe sua parte, e o autor deixa de ver sua parcela referente a direitos autorais (que, às vezes, pode ser da ordem de centavos por livro vendido). A editora então alega que o livro não teve o retorno esperado no mercado e deixa de publicar escritos daquele autor…

Imagine então quando o livro é autopublicado: o autor deixa de ver qualquer retorno se os livros são simplesmente distribuídos livremente.

Ainda assim, é preciso que eu faça uma ressalva: alguns autores disponibilizam seus livros para download. Quando isso ocorre por iniciativa do autor, nenhum mal é feito, pois ele assumiu a postura consciente de fazer isso. Pode ser que ele queira ser apenas lido, ou mesmo que esteja buscando maior divulgação de sua obra – mas isso normalmente é atrelado ao fato de ele não ter investido impressão de seus livros, ou seja, não houve custo a mais para ele, exceto os envolvidos na escrita.

Há outro ponto que gostaria de ressaltar, e nisso faço um paralelo com videogames. Na época em que tínhamos de comprar cartuchos (sim, eu tive Atari e Master System, e joguei muito Mega Drive e Super Nintendo) ou alugá-los (nostálgicas locadoras de jogos, coisa que não existe mais), dedicávamos muito mais tempo e energia nos jogos que tínhamos em mãos, em parte por serem poucos – queríamos jogá-los até o fim, aproveitando o máximo de cada um. Contudo, com o tempo e a disponibilização de emuladores (programas que funcionam como aparelhos de videogame) e ROMs (arquivos que contém os jogos), a internet se tornou um repositório de praticamente todos os jogos lançados no passado. Sabe o que isso acarreta? Tem muita gente com HDs abarrotados de jogos de videogames que mal são jogados. Às vezes, um jogo nem é aberto, ou apenas é jogado por uns cinco minutos antes que o jogador “enjoe” e queira partir para outro.

Eu não sei ao certo, mas será que com livros baixados a torto e a direito há realmente uma dedicação à leitura? Se, ao invés de alguém ir à livraria e comprar um ou dois livros que lhe interesse, puder baixar uns dez de uma só vez, ele os lerá todos? Ou muitos ficarão apenas no fundo do HD, sem nunca serem abertos? Realmente não sei. Mas, se houver certo paralelo entre livros e ROMs, acredito que haja mais colecionadores de bytes do que leitores espalhados pelos sites que disponibilizam livros “piratas” para download.

Quer ler A última Dama do Fogo? Quer ler outros bons livros de autores nacionais? Prestigie quem os escreve. É só o que um autor pode pedir a você.

7 thoughts on “Livro A última Dama do Fogo para download”

  1. Com toda a certeza, não sou contra o download e a tradução de livros estrangeiros ainda não lançados no Brasil (assim como os quadrinhos). Mas não sou favorável ao consumo de livros nacionais em forma de e-book desenfreadamente (caso leia em forma digital e goste, compre o livro! Você vai poder lê-lo com mais atenção e quantas vezes quiser, sentir o cheiro e ainda fomentar a literatura nacional).
    Simplesmente, muito me agrada a sensação de tocar um livro… E hoje mais ainda que você encontra livros bons de até mesmo menos de 10 reais, não temos motivos para baixar livros. E por mais que os livros de autores nacionais sejam mais caros, por que não comprá-los? (afinal, as pessoas gastam dinheiro com coisas menos relevantes!).

    Parabéns pela postagem, eu concordo com basicamente tudo que você falou. Beijos. Parabéns pelo blog e pelo livro (que ainda não tive oportunidade de ler, mas já ouvi maravilhas). Beijos.

  2. Tem acontecido o mesmo comigo.
    Falei sobre isso no twitter, inclusive.
    Muitas pessoas estão chegando ao meu site procurando “Entre o Amor e a Amizade pdf”, “Entre o Amor e a Amizade download”, etc.
    Fico muito triste quando vejo e bem preocupada.
    Minha publicação é exatamente como a sua. É autopublicação. Tenho o selo da Lexia, mas paguei por tudo e a venda dos livros é a recuperação do meu investimento.
    Honestamente, não sei se há muito o que se fazer. Pessoas assim não mudarão só porque podem prejudicar alguém. =/ Elas continuarão procurando arquivos para baixar.
    É triste…

  3. Marcelo não vou fingir que não leio ebooks, leio e muitos na verdadede, mas sempre de autores estrangeiros e de livros que não foram publicados no brasil, os chamados livros hots que as editoras do brasil não tem interesse em publicar ou devo dizer que não tinha.

    Em relação ao seu livro ou de outros autores que assim como você pagaram pela publicação do livro não existe logica em baixar um arquivo com o livro ou qualquer coisa do tipo. Temos que dar apoio ao autor nacional da forma que podermos.

    Gostei do seu post e espero que no futuro a realidade e dificuldades que os autores brasileiros enfrentam mude, temos muitos autores bons no Brasil, mas as editoras não procuram investir seriamente nas obras desses autores.

    Beijos e sucesso.

  4. Dificilmente leio e-book, pois acho muito cansativo ficar horas sentada lendo pelo computador, mas recentemente tenho baixados livros para ler no celular e já me acostumei ao formato pequeno. Concordo com praticamente tudo que você falou, o setor musical já enfrenta esse problema tem um tempo. Porém para uma pessoa que tem paixão por livros como eu, ter o livro impresso é algo que jamais abrirei mão! Mesmo quando leio primeiro o e-book, se a leitura for realmente boa, eu vou comprar sim o livro!
    Pra mim ainda não inventaram nada que substitua o prazer de entrar numa livraria e poder pegar nos livros pra escolher! Comprar pelas lojas virtuais é sempre mais barato, mesmo assim eu ainda pago o valor de capa em alguns livros quando vou nas lojas. Isso ninguém vai tirar de mim.
    Então, acho que o e-book pode ser um meio de divulgação do livro, desde que, como você disse, o autor esteja ciente do seu ato.
    A maioria dos livros que li foram traduções de livros em inglês feitas por fãs porque os livros não tinham nem previsão de publicação no Brasil! Se não fossem esses fãs que traduzem eu nem conheceria certos livros.
    Entendo seu lado como autor, mas também entendo o lado dos leitores.
    Enfim, que esses iPads e Kindles da vida fiquem baratos logo para que possamos comprar nossos e-books e ler sem culpa 🙂

    Beijos!
    Vivi

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